Nº. 1 of  4

Diversão Clandestina

...e outros crimes exemplares.

Manhãs gigantescas se levantam na maresia dos abrazos rotos.
Antes que o vento derrube o vôo,
Queria te contar que o segredo da antimatéria
Nada mais é que ter areia nos dentes.
O tempo é uma ficção de mau gosto, 
a tinta derretendo na tarde de uma  banca vagabunda de jornal.
Yo lo sabia, como lo sabia. 
Os ciclos dos sois carregam navios do intangível que há em nós,
Um só corpo de palha, trançado pela adoração ao vermelho. 
Partem-se rumo ao planeta diminuto e curvado
dos deuses das pequenas mortes, 
Temperadas com canções flamencas 
dedilhadas nos cabelos de espanholas tristes.
 Por trás da criatura dócil se esconde o ser engolidor de luas,
Que ninguém advinha nem eterniza.

(Na foto: Penélope Cruz e Lluís Homar em ‘Abraços partidos’.)

Manhãs gigantescas se levantam na maresia dos abrazos rotos.

Antes que o vento derrube o vôo,

Queria te contar que o segredo da antimatéria

Nada mais é que ter areia nos dentes.

O tempo é uma ficção de mau gosto,

a tinta derretendo na tarde de uma  banca vagabunda de jornal.

Yo lo sabia, como lo sabia. 

Os ciclos dos sois carregam navios do intangível que há em nós,

Um só corpo de palha, trançado pela adoração ao vermelho.

Partem-se rumo ao planeta diminuto e curvado

dos deuses das pequenas mortes,

Temperadas com canções flamencas

dedilhadas nos cabelos de espanholas tristes.

 Por trás da criatura dócil se esconde o ser engolidor de luas,

Que ninguém advinha nem eterniza.


(Na foto: Penélope Cruz e Lluís Homar em ‘Abraços partidos’.)

Eu sinto? Nada. Eu sinto muito… Eu sento, junto. Eu findo, fico. Imundo,
Mundo,Mudo. 
 Ludo, Lodo. 
 
Iludo.

Eu sinto? Nada.
Eu sinto muito…
Eu sento, junto.
Eu findo, fico.
Imundo,

Mundo,
Mudo.
 

Ludo,
Lodo. 

 

Iludo.

Das perguntas que emprestei de Neruda,
Das várias noites rasgando tormentas que cavalguei,
arrancando nacos de estrelas que cuspi em planetas interrompidos,
Dos vários tons de cinza que abandonei quando alcancei a soleira de tua porta,
De todas tuas noites mal-dormidas,
De todo o surrealismo crônico rejuntado por nossa euforia de alma velha,
Da reinvenção do fogo a cada vez que morre um fósforo,
Do tal total a vapor à mercê de Kafkas pirotécnicos,
Das palavras engolidas, voadas ou embrulhadas pra presente,
Do lunático em nossas cabeças,
De tudo que conheço vezes tudo que nem suspeito,
quatro vezes, nada fora,
A verdade mais visceral que me pediu abrigo
É que o Amor me pôs na boca o sopro escondido,
Quase surdo-mudo,
Da felicidade bagunceira que invadiu a estrada.
 
- Sopro de uma liberdade regada a canto de passarinho.

                                              (T.L.Mota, esse é teu.)

Das perguntas que emprestei de Neruda,

Das várias noites rasgando tormentas que cavalguei,

arrancando nacos de estrelas que cuspi em planetas interrompidos,

Dos vários tons de cinza que abandonei quando alcancei a soleira de tua porta,

De todas tuas noites mal-dormidas,

De todo o surrealismo crônico rejuntado por nossa euforia de alma velha,

Da reinvenção do fogo a cada vez que morre um fósforo,

Do tal total a vapor à mercê de Kafkas pirotécnicos,

Das palavras engolidas, voadas ou embrulhadas pra presente,

Do lunático em nossas cabeças,

De tudo que conheço vezes tudo que nem suspeito,

quatro vezes, nada fora,

A verdade mais visceral que me pediu abrigo

É que o Amor me pôs na boca o sopro escondido,

Quase surdo-mudo,

Da felicidade bagunceira que invadiu a estrada.

- Sopro de uma liberdade regada a canto de passarinho.

                                              (T.L.Mota, esse é teu.)

O deus xamã da guitarra era uma linda criança voodoo.
No troar das cordas ele arrotava pelos dedos raios de quentura,
E via o mundo arder num desespero de quadris,
Consumindo-se no acender de seus olhos.
Quando o abismo o olhava de volta,
Ele apenas ria como se o amanhã ainda trouxesse carnaval
E tocava num ímpeto de quem digeriu os quatro cavaleiros do apocalipse.
No abrir de sua boca calavam-se os frios,
Reverberando a galope nas veias uma urgência de dias suados.
Um dia ele se fez pássaro noturno.
Pegou carona numa nuvem de fumaça e meia-noite,
E num bater de suas pequenas asas viscerais de música,
Ele anoiteceu.
Foi virar mito no estrangeiro além de nós,
Estranho passageiro.
Do baixo de nossa finitude só resta saber
Sem maldade nem tristessa,

Que sempre é dia de festa na terra dos garotos perdidos.

O deus xamã da guitarra era uma linda criança voodoo.

No troar das cordas ele arrotava pelos dedos raios de quentura,

E via o mundo arder num desespero de quadris,

Consumindo-se no acender de seus olhos.

Quando o abismo o olhava de volta,

Ele apenas ria como se o amanhã ainda trouxesse carnaval

E tocava num ímpeto de quem digeriu os quatro cavaleiros do apocalipse.

No abrir de sua boca calavam-se os frios,

Reverberando a galope nas veias uma urgência de dias suados.

Um dia ele se fez pássaro noturno.

Pegou carona numa nuvem de fumaça e meia-noite,

E num bater de suas pequenas asas viscerais de música,

Ele anoiteceu.

Foi virar mito no estrangeiro além de nós,

Estranho passageiro.

Do baixo de nossa finitude só resta saber

Sem maldade nem tristessa,

Que sempre é dia de festa na terra dos garotos perdidos.

Você me disse que em New York é tudo diferente, babe.
Toda a despreocupação ritmada da ocupação na Times Square,
Os fervilhantes músicos de Jazz,
A excitação do dry Martini que te serve o cineasta,
A chuva que só te oferece uma metrópole das gentes que sempre têm o que fazer.
Não há tempo pra miudezas,
This is Brodway!
It is marvelous!
Você diz que no meio das luzes de Big Apple não dá pra ver
As sombras em nosso rosto,
Todas as imperfeições serão perdoadas.
Lá é permitido cantar logo após iniciar uma frase,
Como numa fantasia esquecida de Hollywood que se tenta reinventar
Apenas pra bombear alguma mágica rançosa no nosso excesso de realidade.
Você disse que quer se comunicar por semáforos,
Ouvir os reclames dos carros
Até não mais poder ouvir qualquer incerteza de mediocridade.
Mas eu te ouço calada.
Esse negócio de sonho americano é morto,
Vendeu-se pela busca do McDonald’s perfeito.
(No hay banda, no hay orquestra.)

Você me disse que em New York é tudo diferente, babe.

Toda a despreocupação ritmada da ocupação na Times Square,

Os fervilhantes músicos de Jazz,

A excitação do dry Martini que te serve o cineasta,

A chuva que só te oferece uma metrópole das gentes que sempre têm o que fazer.

Não há tempo pra miudezas,

This is Brodway!

It is marvelous!

Você diz que no meio das luzes de Big Apple não dá pra ver

As sombras em nosso rosto,

Todas as imperfeições serão perdoadas.

Lá é permitido cantar logo após iniciar uma frase,

Como numa fantasia esquecida de Hollywood que se tenta reinventar

Apenas pra bombear alguma mágica rançosa no nosso excesso de realidade.

Você disse que quer se comunicar por semáforos,

Ouvir os reclames dos carros

Até não mais poder ouvir qualquer incerteza de mediocridade.

Mas eu te ouço calada.

Esse negócio de sonho americano é morto,

Vendeu-se pela busca do McDonald’s perfeito.

(No hay banda, no hay orquestra.)


Shine on, you crazy diamond.
Achei minha alma na rua.
Ela se vestiu com a tua,
Enquanto eu atravessava de olhos vendados a contramão.
Sem contragosto, na regra do contra.
Fui pra praia guardar o sol no bordado da retina da menina
Que sambalança no ritmo das flores recém-saídas do asfalto.
Ah! Deixa a areia se espreguiçar na pele,
Bem de levinho…

Shine on, you crazy diamond.

Achei minha alma na rua.

Ela se vestiu com a tua,

Enquanto eu atravessava de olhos vendados a contramão.

Sem contragosto, na regra do contra.

Fui pra praia guardar o sol no bordado da retina da menina

Que sambalança no ritmo das flores recém-saídas do asfalto.

Ah! Deixa a areia se espreguiçar na pele,

Bem de levinho…

Sou filha da angústia.
Dia após dia carrego esse peito de eterno nó dado,
Nó cego.
Mostro meus dentes cerrados.
Vai, atira.
Que é uma bala pra quem é puro chumbo revirado?
Que é uma terça-feira pra quem carrega pedra no feriado?
És todo una mierda, yo lo sé.
Vou pedir arrego na Arrentina,
Fazer bico de Malena de Manzi,
Tus ojos son oscuros como el olvido.
Do drama eu me encarrego,
Desce um tango, por favor.

Sou filha da angústia.

Dia após dia carrego esse peito de eterno nó dado,

Nó cego.

Mostro meus dentes cerrados.

Vai, atira.

Que é uma bala pra quem é puro chumbo revirado?

Que é uma terça-feira pra quem carrega pedra no feriado?

És todo una mierda, yo lo sé.

Vou pedir arrego na Arrentina,

Fazer bico de Malena de Manzi,

Tus ojos son oscuros como el olvido.

Do drama eu me encarrego,

Desce um tango, por favor.

Eu pertenço ao mundo das almas errantes,
Dos olhos que berram saudade,
Da poesia antiga das coisa lúcidas
Que moram nos casarões despedaçados,
atrás dos pores-de-sol dos ateus.

Um brinde a nós.

Eu pertenço ao mundo das almas errantes,

Dos olhos que berram saudade,

Da poesia antiga das coisa lúcidas

Que moram nos casarões despedaçados,

atrás dos pores-de-sol dos ateus.

Um brinde a nós.

Me deram de presente uma ampulheta quebrada,
Levei comigo e saí ventando. Minha roupa ficou suja de tempo.  
Encarando aquele vácuo vi que não era vazio, na ampulheta.
Soprava ali um invento assobiado:
Um estardalhaço silencioso e furta-cor.  
Atravessei a cidade na minha corda bamba.
 - Eu engoli um pedaço do sol pelos ouvidos, hoje de manhã.

Me deram de presente uma ampulheta quebrada,

Levei comigo e saí ventando.

Minha roupa ficou suja de tempo.  

Encarando aquele vácuo vi que não era vazio, na ampulheta.

Soprava ali um invento assobiado:

Um estardalhaço silencioso e furta-cor.  

Atravessei a cidade na minha corda bamba.


- Eu engoli um pedaço do sol pelos ouvidos, hoje de manhã.

Às vezes são só imagens:
O quarto abafado, a tarde esganada nas frestas da janela,
O ventilador que não dá conta
Nem do suor
Nem do sabor
Do som.

Às vezes são só imagens:

O quarto abafado, a tarde esganada nas frestas da janela,

O ventilador que não dá conta

Nem do suor

Nem do sabor

Do som.

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